Sexta-feira, 2 de Maio de 2014

Vasco Lourenço

Exmºs. Senhores

Tomei conhecimento, através de uma noticia publicada no jornal “Público” de 29 deAbril de 2014, de um pedido feito por Manuel Sampaio de clarificação politica do seu partido, o CDS.
Apesar de a razão desse pedido ser a atribuição da medalha de Mérito – Ouro – da Câmara Municipal de Lisboa à Associação 25 de Abril, não me iria importunar com essa atitude se, tal como vem transcrito na referida noticia, não existissem afirmações incorrectas e injuriosas em relação à Associação de que sou presidente da Direcção.
Não vou comentar a maioria das afirmações, que encaro como resultado dum exercício da Liberdade que, em boa hora, os militares de Abril recuperaram para Portugal e para os portugueses e que, felizmente, continua a vigorar. Apesar das ameaças constantes a que a mesma é sujeita, a menor das quais não é a tentativa de coarctarem o exercício da liberdade de expressão aos militares de Abril, com o argumento de que estes querem ser donos ou tutores disto e daquilo …
Sejamos claros: tal como qualquer cidadão é livre de expressar a sua opinião, o militar de Abril não abdica de exercer esse direito! Por muito incómoda que essa opinião possa ser, seja para quem for !
Diz Manuel Sampaio que “convém saber que CDS temos – se o CDS barricado no Palácio de Cristal (em Janeiro de 1975), que resistiu heroicamente contra as forças totalitárias da esquerda, ou o CDS que através de um deputado, na qualidade de vereador, condecorou uma associação constituída por homens que, por sua vontade, impediriam a existência do CDS”. 
Não sei a idade do senhor Manuel Sampaio, não sei portanto se em 1975 já tinha idade para ter compreendido o que se passou, ou se seria já militante do CDS, ou sequer se já teria nascido
A referência que faz á memoria, na história e no ADN do CDS, pressupõe que sim, que terá pelo menos 60 anos…
Para além de lhe garantir que intervim pessoalmente, no sentido de resolver o problema do cerco ao Palácio de Cristal, feito por forças de extrema esquerda cujos elementos hoje estarão, em grande parte, nos partidos da direita, quem sabe se no próprio CDS, vou contar-lhe uma pequena estória passada em 1976:
Quando da campanha eleitoral para as eleições da Assembleia da República, realizadas em 25 de Abril de 1976, (as primeiras eleições feitas sob a égide da Constituição da República, aprovada em 2 de Abril de 1976), recebi em audiência, no meu gabinete de Comandante da Região Militar de Lisboa, o Dr. Basílio Horta, na sua qualidade de dirigente do CDS.
Nessa audiência, Basílio Horta apresentou-me o receio do seu partido de que ao comício previsto para o Campo Pequeno em Lisboa pudesse acontecer o mesmo que aconteceu no Palácio de Cristal no Porto. 
Disse-lhe, então, que podia estar descansado, que podiam realizar o comício com toda a segurança, pois na região militar por mim comandada não permitiria quaisquer limitações às liberdades de um partido democrático.
Apesar de receoso, Basílio Horta agradeceu-me e o CDS organizou e realizou o comício com toda a segurança.
Ainda houve uma tentativa de boicote, por parte de alguns contra manifestantes, mas rapidamente o assunto foi resolvido, pelas forças por mim destacadas para o efeito.
Um ano e alguns meses depois tomou posse o governo PS/CDS.
Quando nessa sessão cumprimentei Basílio Horta, como um dos ministros que acabara de tomar posse, tivemos o seguinte diálogo:
- Quem diria, senhor general, que estive no seu gabinete a pedir-lhe protecção para poder realizar um comício em segurança e que, passado pouco mais de um ano, o senhor me está a felicitar pela minha tomada de posse, como ministro do governo de Portugal!
- Quem diria, quem diria, senhor ministro! Mau sinal, dos tempos que correm! Mas, acima de tudo, desejo-lhe felicidades!
- Obrigado, senhor general, obrigado!
Passados todos estes anos, afirmo-lhe duas coisas: não me arrependi das minhas atitudes e continuo a ser o mesmo… com a mesma atitude democrática, que a generalidade dos militares de Abril – seja a grande maioria que está na A25A, sejam os poucos que não pertencem à mesma – continua a assumir.
Espero ter contribuído para ajudar o senhor Manuel Sampaio ou a refrescar-lhe a memória da história e do ADN do seu partido, o CDS, ou a fornecer-lhe elementos para melhor a compreender.
Com os melhores cumprimentos
Vasco Correia Lourenço

PS. Informo que darei conhecimento desta carta às personalidades no endereço, bem como aos associados da A25A.
1

 

publicado por lino47 às 17:42
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