Sábado, 24 de Janeiro de 2015

O grito grego

"A Europa à espera do grito grego !

"As revoluções acontecem mais frequentemente - e é forçoso que aconteçam - quando o povo tem um espírito orgulhoso, e tem a noção de que é tão bom como os seus governantes." - Aristóteles

Mais de dois mil anos depois, a frase de Aristóteles continua a fazer todo o sentido e assenta num princípio a que nem sempre se presta a devida atenção: as revoluções não se planeiam nem se fazem, apenas acontecem, como consequência de algo que ocorreu anteriormente.

Quer isto dizer que por mais importante e radical que seja o resultado das eleições legislativas gregas, nunca este 25 de janeiro de 2015 vai ficar na data como o dia da revolução. Mas pode, muito bem, ser recordado como o dia em que a Europa vai começar a mudar. Ou, pelo menos, o dia em que se tornou urgente que mude.

Depois de cinco anos de medidas brutais de austeridade impostas pela troika, a Grécia é hoje um país em que a classe média quase desapareceu, um quarto da população não consegue encontrar emprego (nem metade dos jovens!), onde os níveis de pobreza não cessam de aumentar e em que, estatisticamente, até já se morre mais depressa do que seria de esperar num país do Sul da Europa. A Grécia é um país onde se perdeu a esperança, onde metade da população vai votar com o sentimento de que "pior já não fica" ou com o medo de perder o pouco que ainda lhe resta.

É aqui que a frase acima de Aristóteles ganha nova actualidade: a Grécia chegou a este ponto depois de um programa de ajustamento da dívida imposto por quem se achava "iluminado" pela razão e com a solução para todos os males. Agora, está à vista que essa suposta elite, comandada do centro da Europa, se enganou. E pior: que é incapaz de reconhecer o seu falhanço ou, sequer, aprender com os erros cometidos. Para que exista uma mudança, só é preciso, pois, que o povo recupere o seu orgulho.

A anunciada vitória do Syriza pode ser uma primeira manifestação desse orgulho - e nada mais do que isso, acredito, tal como, há década e meia, a vitória do "revolucionário" Lula não virou o Brasil de pernas para o ar, ao contrário do que anunciavam os arautos da desgraça. Mas a subida ao poder de um partido fora do habitual arco de governação será, seguramente, um grito de alerta que tem de ser ouvido, com redobrada atenção, por toda a Europa.

De uma forma ou de outra, o povo grego vai hoje fazer ecoar a sua voz. E mesmo que não o assumem, acredito que há muita gente, por essa Europa fora, a desejar um grito alto e sonoro dos gregos. Não porque partilhem as ideias do Syriza (longe disso!), mas apenas porque desejam que "as elites europeias' sofram um revés e, talvez, comecem a aprender a lição.

E atenção, estamos ainda em janeiro. Daqui até ao final deste ano de 2015 (que promete ficar nos livros da História!) ainda teremos eleições no Reino Unido, Dinamarca, Estónia, Finlândia, Polónia, Espanha, Portugal e, talvez, em Itália. Em todas elas, de uma maneira ou de outra, vamos todos andar a olhar para os resultados eleitorais em busca de sinais sobre o futuro da União Europeia. Com uma certeza, porém: a de que, em quase todo o lado, cada vez há mais povo que, como dizia Aristóteles, "tem a noção de que é tão bom como os seus governantes." E isso é que faz nascer as revoluções."

Pois é. também os portugueses esperaram durante quarenta e oito anos o grito português. E o grito português soou e fez tremer Portugal, a Europa e o Mundo e fez sobretudo tremer o grande capital, fez tremer os grandes agrários e fez tremer os banqueiros, fez tremer os industriais e fez tremer os armadores mas como se costuma dizer, depois da tempestade que todos eles sentiram veio a bonança e a bonança trouxe tudo o que de mais negativo havia para o povo. Trouxe o desejo de reconquistar tudo o que tinham perdido e trouxe o desejo de vingança de uma classe saudosista do passado dourado sobre um povo ainda mal preparado para dar respostas adequadas e o resultado está à vista de todos. O povo foi adormecido e depois de adormecido foi espoliado das suas conquistas alcançadas com sacrifícios vários e perdeu. Perdeu o direito à saúde à educação, ao emprego e ao desenvolvimento. E agora? Resta-nos o orgulho de sermos portugueses

 

publicado por lino47 às 23:43
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Agosto 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


.posts recentes

. O Professore Catedrático

. Professores.

. Dos fracos não reza a his...

. comentários

. A Guerra na Síria

. O eucalipto

. O meu patrão é rico

. Cavaco Silva

. O Marquês

. Amadeu Homem

.arquivos

. Agosto 2018

. Junho 2018

. Maio 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Outubro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Setembro 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Março 2013

. Junho 2010

. Maio 2010

. Junho 2009

. Abril 2009

. Março 2009

.favorito

. Burla

blogs SAPO

.subscrever feeds