Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2015

Fernando António

Aqui mesmo, hoje! Em vosso território vos derroto.

Óh desprezados de Eros!

Óh falsa gente, que falsos são...

No vosso gesto e linguagem de canhotos.

 

Escrevo-vos com a minha mão direita que vos esmaga.

Para sempre banidos. Não dos reinos que não têm...

Não tiveram nem terão...

Banidos sim, dos esconderijos onde estão.

 

Vossas danças cómicas, quando se queriam sérios...

São macabras de assassinar a pureza....

Bebem da pobreza que criam?

Sobem pelos cadáveres que violam?

Nem a morte vos dá a mão.

 

Porque é lá, frente ao portal

Onde o vício vos acorrenta aos vossos livros

Que pressentem (mas só pressentem)

O valor do imortal

Da Luz que brilha

Sem que alguém lhe dê abrigo.

 

“ Leiam lá as nossas bostas “

Dizem gemendo anais e nus

“ escrevemos isto sofrendo

De prisão de ventre... na cruz “

 

Esperam delírios das multidões?

As ausentes dos vossos antros?

Misericórdia para a flatulência

Transbordante dos vossos beiços?

 

Claramente vos digo:

Poesia, não é uma forma de azia

Que ávidos porque áridos

Se confundam os tolos

 

Ela não vive nem por um dia

Nos despojos dos vossos roubos

 

Nem a métrica, nem a rima

 ..................

 

Percebem como me alargo no território?

(claro que não) 

Neste território, para mim,sagrado

Que de verdade em verdade

Vos imponho a minha razão?

 

Percebem? Percebem bem?

Eu não como nem comeria a comida aos ratos

Nunca comi, nem como de vossas mãos.

 

Dei-vos boa paparoca, seus bimbalhões enfadonhos.

Levei-vos a ver um rio maior

Provar a atmosfera de um velho coreto

Sentirem que algures, muito perto vivia o amor.

(ao vento)

Sentados na minha pila.... 

Sentiram a emoção de nem nada poderem ser.

(o vosso segredo frustrou-se).

 

Tinha que chegar o dia

Em que vos dissesse (claramente)

O sangue que me chuparam em vida

Acompanhar-vos-á até morrerem

Brotará de vós em feridas

Recordando-vos que nesta vida...

Até os sonhos têm um dono.

 

Coisa leve para quem já morto

Foi sempre pobre chalaça

Vêem chegar misericordiosa a hora do sono

E o vosso sono, vossa desgraça. 

 

 

Fernando António dos Santos

(Caldas da Rainha 27 de Janeiro 2015) 

 

publicado por lino47 às 21:45
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