Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2017

No meu tempo é que era bom 2

No exercício da minha profissão entrei trabalhei e até construí centenas ou talvez milhares de fábricas.
Entrei, trabalhei e até construí algumas das maiores e das mais variadas industrias, desde papel, cimento, produtos químicos, conservas, vestuário, calçado, material eléctrico, etc, etc.
Entrei, trabalhei e até construí fábricas onde centenas de  trabalhadoras ou trabalhadores permaneciam nove horas por dia em pé manuseando peças em máquinas antigas desactualizadas e com os pés em ambiente húmido ou mesmo molhado, com pouca luz ou luz dificiente, janelas com vidraça partidas ou mesmo sem vidraças onde o vento e o frio tinham um campo aberto à propagação de doenças como as bronquites, pneumonias ou tuberculose, ou então em ambiente de ruído permanente e infernal.
Muito pouca gente fará uma pequena ideia do que é trabalhar em industria metalo- mecânica naval, mas aqueles que já viveram isso e viveram disso sabem do que falo.
Entrei, trabalhei e até construí fábricas onde as trabalhadoras ou trabalhadores manuseavam durante toda a  vida activa os mais variados produtos quimicos e gasosos produzidos com metais pesados, produtos corrosivos e ou tóxicos, provocadores das mais variadas doenças, sem luvas, máscaras ou qualquer outra protecção

Aqueles que trabalharam na indústria vidreira, cimenteira, conserveira, química ou pesqueira, sem o mínimo de condições de higiene e segurança ou aqueles que trabalharam na industria do calçado ou vestuário ou mesmo na agricultura, não podem negar que até à década de setenta do século XX, a grande maioria do patronato português, nunca viu o trabalhador como um ser produtor de riqueza a não ser a sua própria, salvo raras excepções cujo complexo fabril onde os trabalhadores tinham escola primária, infantários, posto médico mercearias e até um bairro com centro social.

Mas esses eram eram na realidade muito poucos.

Só a partir dos anos sessenta ou setenta o patronato começou a mostrar algum interesse nas condições de vida dos seus empregados e começou a perceber que facilitando a vda ao trabalhador este respondia com mais rentabilidade.

Se fosse dado ao trabalhador a oportunidade de ter um intervalo de cinco minutos de duas em duas horas,  para fumar um cigarro ou tomar um café este respondia com mais interesse e empenhamento na produção.

Se fosse dado ao trabalhador a hipótese de comer uma bucha a meio da manhã e da tarde, este mantinha mais forças para se manter no ritmo e consequentemente manter o nível produtivo. 

publicado por lino47 às 13:29
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Outubro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


.posts recentes

. O Marquês

. Amadeu Homem

. Um arrazoado

. estátua de sal

. Marques Mendes

. ...

. Televisão

. Mais fátima

. ...

. ...

.arquivos

. Outubro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Setembro 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Março 2013

. Junho 2010

. Maio 2010

. Junho 2009

. Abril 2009

. Março 2009

.favorito

. Burla

blogs SAPO

.subscrever feeds