Quarta-feira, 25 de Novembro de 2015

Cavaco Silva/carlos Esperança

As exigências de Cavaco Silva e o onanismo presidencial

Cavaco Silva, a desfrutar os últimos momentos de prazer mediático, interrompeu o ato de indigitar António Costa como primeiro-ministro do XXI Governo Constitucional.

Esquecido das ameaças de cegueira com que os padres da sua infância o atormentaram, antes da idade da primeira ejaculação, quis fruir o prazer solitário do poder e alardear a importância que a Constituição lhe retirou no último semestre de hóspede no Palácio de Belém, quando a idade e o estatuto o desaconselhavam.

O notário da pior direita que se governou em Portugal depois do 25 de Abril, protelou a assinatura formal à indigitação do novo governo, com os mais variados pretextos, quiçá por não ter caneta, faltar-lhe a tinta, ter esgotado o livro de atas ou, apenas, porque não. Acabou a exigir ao PS, sem qualquer legitimidade, o que não se atreveu a fazer ao PSD.

Numa leitura pouco rigorosa da Constituição, sem o menor sentido de Estado, deixou apodrecer a situação política, económica e social enquanto Passos Coelho ensaiou o seu número de vencedor eleitoral e se armou em vítima.

Quem o obrigará ao deprimente espetáculo, a este número circense, à agonia lúgubre do último mandato? Só quem o chantageie pode impor-lhe um comportamento degradante com danos irreversíveis para a estabilidade financeira e democrática do País.

Que pensasse dos partidos de esquerda o mesmo que qualquer cacique reacionário de uma obscura paróquia, era uma questão ideológica; que o verbalizasse com a mesma delicadeza com que mastiga bolo-rei era um problema de educação; mas, afrontar a AR, o único órgão perante o qual o governo responde, é o défice democrático salazarista que o formatou e que quarenta anos de democracia não sararam.

Não se esperava de Cavaco Silva que terminasse com dignidade este mandato mas, por respeito ao cargo, era legítimo acreditar num módico de discernimento e decência.

Não pôde, não soube ou não quis. Limitou-se a usar um patético pretexto para pôr o seu carimbo no novo governo: «Visado pela comissão de censura».

publicado por lino47 às 13:34
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